sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

A taça de chá



















O luar desmaiava mais ainda uma máscara caída nas esteiras bordadas. E os bambus ao vento e os crisântemos nos jardins e as garças no tanque, gemiam com ele a adivinharem-lhe o fim. Em roda tombavam-se adormecidos os ídolos coloridos e os dragões alados. E a gueixa, porcelana transparente como a casca de um ovo da Íbis, enrodilhou-se num labirinto que nem os dragões dos deuses em dias de lágrimas. E os seus olhos rasgados, pérolas de Nanguim a desmaiar-se em água, confundiam-se cintilantes no luzidio das porcelanas.

Ele, num gesto último, fechou-lhe os lábios co'as pontas dos dedos, e disse a finar-se: — Chorar não é remédio; só te peço que não me atraiçoes enquanto o meu corpo for quente. Deixou a cabeça nas esteiras e ficou. E Ela, num grito de garça, ergueu alto os braços a pedir o Céu para Ele, e a saltitar foi pelos jardins a sacudir as mãos, que todos os que passavam olharam para Ela.

Pela manhã vinham os vizinhos em bicos dos pés espreitar por entre os bambus, e todos viram acocorada a gueixa abanando o morto com um leque de marfim.

A estampa do pires é igual.

José de Almada Negreiros

Escrito em 1915

O leque , a rosa e a treliça da ponte






















Das asas de um gesto que voou de um trem noturno
Caíram, ficaram surpresos nas hastes da ponte de ferro,
Uma rosa toda aberta
E um leque, por acaso, em botão.
A rosa se fizera flor num jardim de agosto,
De uma família insigne de rosas,
De uma geração em brasonada cor.
O leque soprara num rosto formoso
Ventos leves e alísios. . .
E também – é possível – um vento precoce ou tardio
E ainda – quem sabe? – um vento ilusivo.
Depois que o trem noturno transcorreu,
Sucederam dias – ardentes
Sucederam noites – geladas
Murchando a rosa, desfolhando o leque
– Mas a ponte de ferro e de preto, no Aberto e no Tempo,
[se mantinha imutável.
Disse o leque: Por que não fechas por um momento sequer
[tuas varetas? Leque impassível!
E a rosa: Por que tuas pétalas não murcham nunca? Rosa de
[ferro

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Leque

























Diz a lenda que quando Adão e Eva foram expulsos do Paraíso , Deus para castigar a moça deixou a pobre sem falar por vários dias . Então para se comunicar com o seu companheiro , ela fez um leque de palha e bambu . A cada sentimento diferente , a mulher deveria posicionar este objeto de uma forma criativa . Por exemplo : quando ela estava feliz abriria o leque por inteiro , no caso de tristeza Eva fecharia este objeto e quando desejasse alguma coisa apontaria o leque para o alvo .

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010



























Com o leque ela pensa alguma coisa. Ela pensa o leque e com o leque se abana. E com o leque fecha de súbito o pensamento num estalido, vazia, sorridente, rígida, ausente. O leque distraído e aberto no peito. “A vida é mesmo engraçada”, concorda ela como visita que é recebida na sala de visitas. Mas num alvoroço controlado, eis que se abana de súbito com mil asas de pardal.

Clarice Lispector

O Leque























No Éden uma vez, era de madrugada,
Zumbia numa rosa uma vespa doirada

Satanás, sai da concha
como um caracol,
Tenebroso e escorrendo em púrpuras de sol,
Saiu alegremente a rir d'entre o arvoredo,
Chegou ao pé de Deus e disse-lhe um segredo.
Em voz baixa, ao ouvido.

Isto foi na manhã
Em que a Eva devorou a célebre maçã.
E Deus disse ao Demónio: - Ó brejeiro, é preciso
Dar armas à mulher, para que o homem peque...
E Jeová da rosa então fez um sorriso,
E das asas da vespa o Diabo fez-lhe um leque.

Guerra Junqueiro - de A Musa em Férias

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Terça-feira gorda




















Véu de manhã

Céu de azul

Salpicos brancos

Nuvens esparsas


Pés descalços

Fantasias rasgadas

Laços desfeitos

Fim de carnaval


Lágrimas doces

Beijos lembrados

Que foram levados

No temporal

José Silveira

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Marcha De Quarta-Feira De Cinzas













Acabou nosso carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações
Saudades e cinzas foi o que restou

Pelas ruas o que se vê
É uma gente que nem se vê
Que nem se sorri
Se beija e se abraça
E sai caminhando
Dançando e cantando cantigas de amor

E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade

A tristeza que a gente tem
Qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir
Voltou a esperança
É o povo que dança
Contente da vida, feliz a cantar
Porque são tantas coisas azuis
E há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar de que a gente nem sabe

Quem me dera viver pra ver
E brincar outros carnavais
Com a beleza dos velhos carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando seu canto de paz
Seu canto de paz

Composição: Vinicius de Moraes / Carlos Lyra

Acabou o carnaval.




















As serpentinas
Já não pairam pelo ar.
Os confetes colorem
O chão que fora
Passarela da ilusão
Em momentos
Em que o solitário
Se divertia na multidão.

As ruas redescobrem o silêncio.
O silêncio redescobre
A sua existência.
A presença da ausência
Constrói a saudade
De uma festa
Já sem subsistência.

Nas cinzas
De uma quarta-feira
Esconde-se o folião
Exaurido de corpo
E desiludido de alma.

Folião agora carente,
Que lembra com
Melancolia dos amores
De um carnaval já ausente.

Diante do dissabor,
E com um vazio
Sem igual,
O folião conclui
Com uma lágrima no rosto
Que acabou o carnaval.

BrunoricO.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Máscara Negra


















Quanto riso oh quanta alegria
Mais de mil palhaços no salão
Arlequim está chorando
Pelo amor da colombina
No meio da multidão

Foi bom te ver outra vez
Está fazendo um ano
Foi no carnaval que passou
Eu sou aquele pierrô
Que te abraçou e te beijou meu amor
Na mesma máscara negra
Que esconde o teu rosto
Eu quero matar a saudade
Vou beijar-te agora
Não me leve a mal
Hoje é carnaval


Marchinha de Carnaval
Composição: Zé Keti-Pereira Mattos

CACHAÇA

























Você pensa que cachaça é água
Cachaça não é água não
Cachaça vem do alambique
E água vem do ribeirão

Pode me faltar tudo na vida
Arroz feijão e pão
Pode me faltar manteiga
E tudo mais não faz falta não
Pode me faltar o amor
Há, há, há, há!
Isto até acho graça
Só não quero que me falte
A danada da cachaça


Mirabeau Pinheiro-Lúcio de Castro-Heber Lobato, 1953

ALLAH-LÁ-Ô







Allah-lá-ô, ô ô ô ô ô ô

Mas que calor, ô ô ô ô ô ô
Atravessamos o deserto do Saara
O sol estava quente
Queimou a nossa cara

Viemos do Egito
E muitas vezes
Nós tivemos que rezar
Allah! allah! allah, meu bom allah!
Mande água pra ioiô
Mande água pra iaiá
Allah! meu bom allah


Haroldo Lobo-Nássara, 1940





















Para homenagear o Deus Saturno, havia uma festa na Roma Antiga chamada "Saturnais". As escolas ficavam fechadas, os escravos eram soltos e as pessoas saíam às ruas para dançar. Carros (chamados de carrum navalis por serem semelhantes aos navios) levavam homens e mulheres nus em desfile. Muitos dizem que pode ter sido daí a expressão "carnavale".
























"Confete
Pedacinho colorido de saudade
Ai, ai, ai,ai
Ao te ver na fantasia que usei
Confete
Confesso que chorei."

Marchinha de David Nasser e Jota Júnior - carnaval de 1952





















Guardo ainda, bem guardada a serpentina
Que ela, jogou!
Ela era uma linda colombina
E eu, um pobre pierrô!
Guardei a serpentina, que ela me atirou
Brinquei com colombina, até às sete da manhã
Chorei, quando ela disse:
Vou-me embora, até amanhã!
Pierrô até amanhã"...

Marchinha de David Nasser e Haroldo Lobo

Curiosidades do Carnaval























- Em 1892 o carnaval foi transferido para os dias 26, 27 e 28 de junho, por ser um mês considerado mais saudável. A ordem foi do Ministro do Interior. O povo comemorou nesse ano dois carnavais.

- Em 1910 o carnaval é transferido para junho em função da morte do Barão do Rio Branco. Novamente houve dois carnavais.

- Portela, Mangueira e Unidos da Tijuca são as únicas escolas que participaram do primeiro desfile, realizado em 1932, que continuam em atividade até hoje.

- Na década de 30 a ala das baianas era formada, quase que exclusivamente, por homens. Eles desfilavam nas laterais levando navalhas presas às pernas para defender as agremiações em caso de brigas. Foi só na década de 60 que foi criada a Ala das Baianas com as características atuais.
Destaque

- Durante o desfile das campeãs de 1970 a mais famosa baiana da Mangueira, Nair Pequena, morreu em plena avenida.

- No carnaval de 1972 o Império Serrano chegou praticamente sem alegorias na concentração. Lá, o carnavalesco Fernando Pinto foi montando folhagens, bichos e coqueiros, transformando os esqueletos das alegorias em uma deslumbrante floresta. A Escola foi Campeã com o enredo "Alô, Alô, Taí Carmem Miranda".

- A Portela é a única escola heptacampeã do carnaval carioca. Ela ganhou todos os títulos disputados entre 1941 a 1947, inclusive.

- Dagmar, esposa de Nozinho, irmão de Natal da Portela, foi a primeira mulher a tocar surdo numa bateria de Escola de Samba.

- O jornalista Irênio Delegado levou, em 1948, uma comitiva de 30 pessoas - entre elas o diretor da Radio Nacional, Victor Costa - até a Serrinha para o lançamento de um refrigerante. Na década de 50, o Império Serrano recebia em sua sede turistas e personalidades para a “Ceia do Samba”. Mas foi só a partir da segunda década de 60 que o "high society" passou a freqüentar as quadras.

- A Portela foi a primeira escola a ser campeã com nota 10 em todos os quesitos. Tal fato ocorreu em 1953, ano da reunificação do samba.

- Nelson de Andrade, ex-presidente do Salgueiro e da Portela, foi o autor do lema usado até hoje pela escola vermelho e branco da Tijuca: "nem melhor, nem pior, apenas uma Escola diferente”.

- Em 1959, contrariando uma norma do regulamento dos desfiles, o Salgueiro, pela primeira vez, não usou as tradicionais cordas. Daí em diante, caiu a obrigatoriedade das cordas envolvendo toda a Escola de Samba.

- José Pereira da Silva, o Mestre André, da Mocidade Independente de Padre Miguel, em um golpe de astúcia, inventou a paradinha da bateria. Certa vez, ele desequilibrou-se, escorregou e os instrumentistas pararam. Mais preocupado com o samba do que com o tombo, o mestre deu um rodopio e fez sinal para o repique que entrou tocando no ritmo. Pronto, criou-se um tipo de “síncope” musical que depois se tornou obrigatoriedade na apresentação de várias escolas.

- No carnaval de 1983, a Caprichosos dos Pilares desfilou no escuro o enredo “Um Cardápio à Brasileira”. Como as notas da escola não foram computadas, ela foi mantida no Grupo Especial. Fato semelhante aconteceu em 1992 com a Escola de Samba Santa Cruz. A partir daí, o regulamento dos desfiles estabeleceu que as escolas devem desfilar mesmo sem luz, mas, neste caso, os jurados devem permanecer na pista.
Destaque

- A Portela é a única escola que participou de todos os desfiles principais do carnaval carioca de 1932 até hoje, visto que, em 1937 o delegado Dulcídio Gonçalves mandou encerrar o desfile antes que a Mangueira e Unidos da Tijuca se apresentassem. Tal fato faz com que a Verde-e-Rosa não reconheça o resultado final desse desfile.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Serpentina





















Não se sabe o certo a origem da serpentina. As primeiras notícias sobre o uso desse artefato carnavalesco, vêm de Paris e informaram que ela começou a ser usada em 1893, um ano depois do confete.
Alguns relatos dizem que a idéia surgiu quando um industrial percebeu a brincadeira que algumas telegrafistas francesas, faziam ao final do expediente, lançando umas sobre as outras as fitas de papel azulado dos telégrafos da época.

Batalha de confete




















As Batalhas de Confete, ou Batalhas de Flores, eram os nomes dados, no início do século XX, às promenades características do carnaval da elite carioca desde meados do século XIX.

Baseados nas "Batailles des Fleurs" do carnaval de Nice, esses eventos eram realizados na sofisticada, e recém inaugurada, Avenida Beira-Mar, no Rio de Janeiro.

A necessidade de se possuir uma carruagem, ou mais tarde um automóvel, fazia com que essa diversão fosse uma exclusividade das classes mais abastadas.


A principal característica das batalhas de flores, ou de confete, eram seu caráter inocente e familiar. A brincadeira consistia basicamente num passeio de carruagens (ou de automóveis) enfeitadas, que transportavam grupos de pessoas fantasiadas. Ao se cruzarem, os foliões lançavam uns sobre os outros, pequenos buquês de flores, confetes ou serpentinas procurando copiar os modos "civilizados" do carnaval de Nice.

A inauguração, no Rio de Janeiro, do eixo Avenida Central-Avenida Beira-Mar, em 1906, daria grande impulso à brincadeira que buscava ocupar o novo espaço urbano construído para o usufruto da burguesia.

O projeto de um carnaval sofisticado e exclusivo da elite, porém, acabaria esbarrando na proverbial esbórnia dos cariocas que deram um toque de esculhambação ao elegante divertimento fazendo com que as batalhas de flores se transformassem no chamado corso.

Confete



























O Confete apareceu pela primeira vez no carnaval de Roma sob a forma de "confetti", ou "confeitos" de açúcar que as pessoas jogavam umas sobre as outras nas ruas da cidade.

O confete de papel (geralmente branco, dourado ou prateado) foi noticiado pela primeira vez no carnaval de Paris, em 1892.

Um fato curioso: em razão do adiamento do carnaval carioca daquele ano para o mês de junho, a folia da cidade pode utilizar a novidade no mesmo ano em que fora lançada na Europa.

Rei Momo
















O Rei Momo é considerado o dono do Carnaval, é quem comanda a folia. Possui uma personalidade zombeteira, delirante e sarcástica. Vindo da mitologia grega, ele é filho do sono e da noite, e acabou expulso do Olimpo - morada dos deuses - porque tinha como diversão ridicularizar as outras divindades.

Lança perfume

















O lança perfume foi a grande invenção do carnaval brasileiro, surgiu em1906 no Rio de Janeiro e logo se espalhou de norte a sul do país.
Era fabricado na Suíça pela Rodo, e produzido em garrafinhas de vidro que provocavam grande número de acidentes.
Em 1927 a Rodo lançou o produto em embalagens metálicas douradas, que eram comercializadas com a marca Rodouro.
A finalidade era lançar perfume em cima das pessoas , mas infelizmente com o tempo passou a ser usado com outros fins, o que fez com que o governo proibisse.

Colombina



























A Colombina (em francês "pequena pomba") é uma personagem da commedia dell'arte, um gênero de teatro popular que surgiu na Itália, no século XVI. Em geral, aparece como uma serva ou empregada de alguma dama e é caracterizada como uma moça linda e inteligente, de humor rápido e irônico, sempre envolvida em intrigas e fofocas, apaixonada por arlequim, e amada em segredo pelo romântico Pierrot.

Arlequim



























Arlequim era um espertalhão preguiçoso e insolente, que tentava convencer a todos da sua ingenuidade e estupidez. Depois de entrar em cena saltitando, deslocava-se pelo palco com passos de dança e um grande repertório de movimentos acrobáticos. Debochado, adorava pregar peças nos outros personagens e depois usava sua agilidade para escapar das confusões criadas. Outra de suas marcas-registradas era a roupa de losangos

Pierrot



























Seu nome original era Pedrolino, mas foi batizado, na França do século XIX, como Pierrot e assim ganhou o mundo. O mais pobre dos personagens serviçais, vestia roupas feitas de sacos de farinha, tinha o rosto pintado de branco e não usava máscara. Vivia sofrendo e suspirando de amor pela Colombina. Por isso, era a vítima preferida das piadas em cena. Não foi à toa que sua atitude, sua vestimenta e sua maquiagem influenciaram todos os palhaços de circo

Pierrot, Colombina e Arlequim

















Pierrot era o idealizador do amor, um clássico sonhador ingênuo e romântico. Ele amava Colombina, uma dama de companhia da corte.
Colombina amava tanto Pierrot como Arlequim, um sujeito fanfarrão, esperto e trapaceiro.
Arlequim gostava das coisas boas da vida e se assemelhava a um bobo da corte.
Esses personagens foram criados pela Comédia Dell’arte, surgida na Idade Média na Europa. Essas comédias eram espetáculos teatrais populares, sem texto fixo, e aconteciam nas ruas em pequenos palcos.
A história do Pierrot originou famosas fantasias, usadas até hoje em todo o mundo. São consideradas as fantasias mais antigas do Carnaval e se caracterizam por:
Pierrot está sempre com uma lágrima caindo de seu olho. Arlequim veste uma roupa feita de retalhos em losango de várias cores. Colombina está sempre bem vestida, com uma saia rodada, enfeite no cabelo e sapatilhas.

Carmaval

























Estudiosos divergem quanto a origem do termo Carnaval.
Para uns, a palavra vem de CARRUM NAVALIS, os carros navais que faziam a abertura das Dionisías Gregas nos séculos VII e VI a.C.
Uma outra versão é a de que a palavra Carnaval surgiu quando Gregório I, o Grande, em 590 d.C. transferiu o início da Quaresma para quarta-feira, antes do sexto domingo que precede a Páscoa. Ao sétimo domingo, denominado de "qüinquagésima" deu o título de "dominica ad carne levandas", expressão que teria sucessivamente se abreviado para "carne levandas", "carne levale", "carne levamen", "carneval" e "carnaval", todas variantes de dialetos italianos (milanês, siciliano, calabres, etc..) e que significam ação de tirar , quer dizer: "tirar a carne" A terça-feira. (mardi-grass), seria legitimamente a noite do carnaval. Seria, em última análise, a permissão de se comer carne antes dos 40 dias de jejum da Quaresma.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Curiosidades do meio literário!

















O escritor Wolfgang Von Goethe escrevia em pé. Ele mantinha em sua casa uma escrivaninha alta.


O escritor Pedro Nava parafusava os móveis de sua casa a fim que ninguém o tirasse do lugar.


Gilberto Freyre nunca manuseou aparelhos eletrônicos. Não sabia ligar sequer uma televisão. Todas as obras foram escritas a bico-de-pena, como o mais extenso de seus livros, Ordem e Progresso, de 703 páginas.


Euclides da Cunha, Superintendente de Obras Públicas de São Paulo, foi engenheiro responsável pela construção de uma ponte em São José do Rio Pardo (SP). A obra demorou três anos para ficar pronta e, alguns meses depois de inaugurada, a ponte simplesmente ruiu. Ele não se deu por vencido e a reconstruiu. Mas, por via das dúvidas, abandonou a carreira de engenheiro.


Machado de Assis, nosso grande escritor, ultrapassou tanto as barreiras sociais bem como físicas. Machado teve uma infância sofrida pela pobreza e ainda era míope, gago e sofria de epilepsia. Enquanto escrevia Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado foi acometido por uma de suas piores crises intestinais, com complicações para sua frágil visão. Os médicos recomendaram três meses de descanso em Petrópolis. Sem poder ler nem redigir, ditou grande parte do romance para a esposa, Carolina.


Graciliano Ramos era ateu convicto, mas tinha uma Bíblia na cabeceira só para apreciar os ensinamentos e os elementos de retórica. Por insistência da sogra, casou na igreja com Maria Augusta, católica fervorosa, mas exigiu que a cerimônia ficasse restrita aos pais do casal. No segundo casamento, com Heloísa, evitou transtornos: casou logo no religioso.


Aluísio de Azevedo tinha o hábito de, antes de escrever seus romances, desenhar e pintar, sobre papelão, as personagens principais mantendo-as em sua mesa de trabalho, enquanto escrevia.


José Lins do Rego era fanático por futebol. Foi diretor do Flamengo, do Rio, e chegou a chefiar a delegação brasileira no Campeonato Sul-Americano, em 1953.


Aos dezessete anos, Carlos Drummond de Andrade foi expulso do Colégio Anchieta, em Nova Friburgo (RJ), depois de um desentendimento com o professor de português. Imitava com perfeição a assinatura dos outros. Falsificou a do chefe durante anos para lhe poupar trabalho. Ninguém notou. Tinha a mania de picotar papel e tecidos. "Se não fizer isso, saio matando gente pela rua". Estraçalhou uma camisa nova em folha do neto. "Experimentei, ficou apertada, achei que tinha comprado o número errado. Mas não se impressione, amanhã lhe dou outra igualzinha."


Numa das viagens a Portugal, Cecília Meireles marcou um encontro com o poeta Fernando Pessoa no café A Brasileira, em Lisboa. Sentou-se ao meio-dia e esperou em vão até as duas horas da tarde. Decepcionada, voltou para o hotel, onde recebeu um livro autografado pelo autor lusitano. Junto com o exemplar, a explicação para o "furo": Fernando Pessoa tinha lido seu horóscopo pela manhã e concluído que não era um bom dia para o encontro.

Érico Veríssimo era quase tão taciturno quanto o filho Luís Fernando, também escritor. Numa viagem de trem a Cruz Alta, Érico fez uma pergunta que o filho respondeu quatro horas depois, quando chegavam à estação final.


Clarice Lispector era solitária e tinha crises de insônia. Ligava para os amigos e dizia coisas perturbadoras. Imprevisível, era comum ser convidada para jantar e ir embora antes de a comida ser servida.


Monteiro Lobato adorava café com farinha de milho, rapadura e içá torrado (a bolinha traseira da formiga tanajura), além de Biotônico Fontoura. "Para ele, era licor", diverte-se Joyce, a neta do escritor. Também tinha mania de consertar tudo. "Mas para arrumar uma coisa, sempre quebrava outra."


Manuel Bandeira sempre se gabou de um encontro com Machado de Assis, aos dez anos, numa viagem de trem. Puxou conversa: "O senhor gosta de Camões?" Bandeira recitou uma oitava de Os Lusíadas que o mestre não lembrava. Na velhice, confessou: era mentira. Tinha inventado a história para impressionar os amigos. Foi escoteiro dos nove aos treze anos. Nadador do Minas Tênis Clube, ganhou o título de campeão mineiro em 1939, no estilo costas.


Guimarães Rosa, médico recém-formado, trabalhou em lugarejos que não constavam no mapa. Cavalgava a noite inteira para atender a pacientes que viviam em longínquas fazendas. As consultas eram pagas com bolo, pudim, galinha e ovos. Sentia-se culpado quando os pacientes morriam. Acabou abandonando a profissão. "Não tinha vocação. Quase desmaiava ao ver sangue", conta Agnes, a filha mais nova.


Mário de Andrade provocava ciúmes no antropólogo Lévi-Strauss porque era muito amigo da mulher dele, Dina. Só depois da morte de Mário, o francês descobriu que se preocupava em vão. O escritor era homossexual.

Vinicius de Moraes, casado com Lila Bosco, no início dos anos 50, morava num minúsculo apartamento em Copacabana. Não tinha geladeira. Para agüentar o calor, chupava uma bala de hortelã e, em seguida, bebia um copo de água para ter sensação refrescante na boca.


José Lins do Rego foi o primeiro a quebrar as regras na ABL, em 1955. Em vez de elogiar o antecessor, como de costume, disse que Ataulfo de Paiva não poderia ter ocupado a cadeira por faltar-lhe vocação.



Jorge Amado para autorizar a adaptação de Gabriela para a tevê, impôs que o papel principal fosse dado a Sônia Braga. "Por quê?", perguntavam os jornalistas, Jorge respondeu: "O motivo é simples: nós somos amantes." Ficou todo mundo de boca aberta. O clima ficou mais pesado quando Sônia apareceu. Mas ele se levantou e, muito formal disse: "Muito prazer, encantado." Era piada. Os dois nem se conheciam até então.



O poeta Pablo Neruda colecionava de quase tudo: conchas, navios em miniatura, garrafas e bebidas, máscaras, cachimbos, insetos, quase tudo que lhe dava na cabeça.



Vladimir Maiakóvski tinha o que atualmente chamamos de Transtorno Obsessivo-compulsivo (TOC). O poeta russo tinha mania de limpeza e costumava lavar as mãos diversas vezes ao dia, numa espécie de ritual repetitivo e obsessivo.



A preocupação excessiva com doenças fazia com que o escritor de origem tcheca Franz Kafka usasse roupas leves e só dormisse de janelas abertas – para que o ar circulasse -, mesmo no rigoroso inverno de Praga.



O escritor norte-americano Ernest Hemingway passou boa parte de sua vida tratando de problemas de depressão. Apesar da ajuda especializada, o escritor foi vencido pela tristeza e amargura crônicas. Hemingway deu fim à própria vida com um tiro na cabeça.



O poeta português Fernando Pessoa tinha o hábito de escreve sob diversos pseudonimos, cada um com um estilo e uma biografia próprios. Ente os pseudonimos adotado estão Ricardo Reis, Alberto Caieiro e Álvaro de Campos.