
Acabou nosso carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações
Saudades e cinzas foi o que restou
Pelas ruas o que se vê
É uma gente que nem se vê
Que nem se sorri
Se beija e se abraça
E sai caminhando
Dançando e cantando cantigas de amor
E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade
A tristeza que a gente tem
Qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir
Voltou a esperança
É o povo que dança
Contente da vida, feliz a cantar
Porque são tantas coisas azuis
E há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar de que a gente nem sabe
Quem me dera viver pra ver
E brincar outros carnavais
Com a beleza dos velhos carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando seu canto de paz
Seu canto de paz
Composição: Vinicius de Moraes / Carlos Lyra
As serpentinas
Já não pairam pelo ar.
Os confetes colorem
O chão que fora
Passarela da ilusão
Em momentos
Em que o solitário
Se divertia na multidão.
As ruas redescobrem o silêncio.
O silêncio redescobre
A sua existência.
A presença da ausência
Constrói a saudade
De uma festa
Já sem subsistência.
Nas cinzas
De uma quarta-feira
Esconde-se o folião
Exaurido de corpo
E desiludido de alma.
Folião agora carente,
Que lembra com
Melancolia dos amores
De um carnaval já ausente.
Diante do dissabor,
E com um vazio
Sem igual,
O folião conclui
Com uma lágrima no rosto
Que acabou o carnaval.
BrunoricO.

Quanto riso oh quanta alegria
Mais de mil palhaços no salão
Arlequim está chorando
Pelo amor da colombina
No meio da multidão
Foi bom te ver outra vez
Está fazendo um ano
Foi no carnaval que passou
Eu sou aquele pierrô
Que te abraçou e te beijou meu amor
Na mesma máscara negra
Que esconde o teu rosto
Eu quero matar a saudade
Vou beijar-te agora
Não me leve a mal
Hoje é carnaval
Marchinha de Carnaval
Composição: Zé Keti-Pereira Mattos

Você pensa que cachaça é água
Cachaça não é água não
Cachaça vem do alambique
E água vem do ribeirão
Pode me faltar tudo na vida
Arroz feijão e pão
Pode me faltar manteiga
E tudo mais não faz falta não
Pode me faltar o amor
Há, há, há, há!
Isto até acho graça
Só não quero que me falte
A danada da cachaça
Mirabeau Pinheiro-Lúcio de Castro-Heber Lobato, 1953
Allah-lá-ô, ô ô ô ô ô ô
Mas que calor, ô ô ô ô ô ô
Atravessamos o deserto do Saara
O sol estava quente
Queimou a nossa cara
Viemos do Egito
E muitas vezes
Nós tivemos que rezar
Allah! allah! allah, meu bom allah!
Mande água pra ioiô
Mande água pra iaiá
Allah! meu bom allah
Haroldo Lobo-Nássara, 1940
Para homenagear o Deus Saturno, havia uma festa na Roma Antiga chamada "Saturnais". As escolas ficavam fechadas, os escravos eram soltos e as pessoas saíam às ruas para dançar. Carros (chamados de carrum navalis por serem semelhantes aos navios) levavam homens e mulheres nus em desfile. Muitos dizem que pode ter sido daí a expressão "carnavale".

"Confete
Pedacinho colorido de saudade
Ai, ai, ai,ai
Ao te ver na fantasia que usei
Confete
Confesso que chorei."
Marchinha de David Nasser e Jota Júnior - carnaval de 1952
Guardo ainda, bem guardada a serpentina
Que ela, jogou!
Ela era uma linda colombina
E eu, um pobre pierrô!
Guardei a serpentina, que ela me atirou
Brinquei com colombina, até às sete da manhã
Chorei, quando ela disse:
Vou-me embora, até amanhã!
Pierrô até amanhã"...
Marchinha de David Nasser e Haroldo Lobo
- Em 1892 o carnaval foi transferido para os dias 26, 27 e 28 de junho, por ser um mês considerado mais saudável. A ordem foi do Ministro do Interior. O povo comemorou nesse ano dois carnavais.
- Em 1910 o carnaval é transferido para junho em função da morte do Barão do Rio Branco. Novamente houve dois carnavais.
- Portela, Mangueira e Unidos da Tijuca são as únicas escolas que participaram do primeiro desfile, realizado em 1932, que continuam em atividade até hoje.
- Na década de 30 a ala das baianas era formada, quase que exclusivamente, por homens. Eles desfilavam nas laterais levando navalhas presas às pernas para defender as agremiações em caso de brigas. Foi só na década de 60 que foi criada a Ala das Baianas com as características atuais.
Destaque
- Durante o desfile das campeãs de 1970 a mais famosa baiana da Mangueira, Nair Pequena, morreu em plena avenida.
- No carnaval de 1972 o Império Serrano chegou praticamente sem alegorias na concentração. Lá, o carnavalesco Fernando Pinto foi montando folhagens, bichos e coqueiros, transformando os esqueletos das alegorias em uma deslumbrante floresta. A Escola foi Campeã com o enredo "Alô, Alô, Taí Carmem Miranda".
- A Portela é a única escola heptacampeã do carnaval carioca. Ela ganhou todos os títulos disputados entre 1941 a 1947, inclusive.
- Dagmar, esposa de Nozinho, irmão de Natal da Portela, foi a primeira mulher a tocar surdo numa bateria de Escola de Samba.
- O jornalista Irênio Delegado levou, em 1948, uma comitiva de 30 pessoas - entre elas o diretor da Radio Nacional, Victor Costa - até a Serrinha para o lançamento de um refrigerante. Na década de 50, o Império Serrano recebia em sua sede turistas e personalidades para a “Ceia do Samba”. Mas foi só a partir da segunda década de 60 que o "high society" passou a freqüentar as quadras.
- A Portela foi a primeira escola a ser campeã com nota 10 em todos os quesitos. Tal fato ocorreu em 1953, ano da reunificação do samba.
- Nelson de Andrade, ex-presidente do Salgueiro e da Portela, foi o autor do lema usado até hoje pela escola vermelho e branco da Tijuca: "nem melhor, nem pior, apenas uma Escola diferente”.
- Em 1959, contrariando uma norma do regulamento dos desfiles, o Salgueiro, pela primeira vez, não usou as tradicionais cordas. Daí em diante, caiu a obrigatoriedade das cordas envolvendo toda a Escola de Samba.
- José Pereira da Silva, o Mestre André, da Mocidade Independente de Padre Miguel, em um golpe de astúcia, inventou a paradinha da bateria. Certa vez, ele desequilibrou-se, escorregou e os instrumentistas pararam. Mais preocupado com o samba do que com o tombo, o mestre deu um rodopio e fez sinal para o repique que entrou tocando no ritmo. Pronto, criou-se um tipo de “síncope” musical que depois se tornou obrigatoriedade na apresentação de várias escolas.
- No carnaval de 1983, a Caprichosos dos Pilares desfilou no escuro o enredo “Um Cardápio à Brasileira”. Como as notas da escola não foram computadas, ela foi mantida no Grupo Especial. Fato semelhante aconteceu em 1992 com a Escola de Samba Santa Cruz. A partir daí, o regulamento dos desfiles estabeleceu que as escolas devem desfilar mesmo sem luz, mas, neste caso, os jurados devem permanecer na pista.
Destaque
- A Portela é a única escola que participou de todos os desfiles principais do carnaval carioca de 1932 até hoje, visto que, em 1937 o delegado Dulcídio Gonçalves mandou encerrar o desfile antes que a Mangueira e Unidos da Tijuca se apresentassem. Tal fato faz com que a Verde-e-Rosa não reconheça o resultado final desse desfile.
Não se sabe o certo a origem da serpentina. As primeiras notícias sobre o uso desse artefato carnavalesco, vêm de Paris e informaram que ela começou a ser usada em 1893, um ano depois do confete.
Alguns relatos dizem que a idéia surgiu quando um industrial percebeu a brincadeira que algumas telegrafistas francesas, faziam ao final do expediente, lançando umas sobre as outras as fitas de papel azulado dos telégrafos da época.