quarta-feira, 31 de março de 2010
Dia da mentira
Você sabia que o costume de contar mentiras no dia 1.º de abril teve sua origem na França? Pois é, os franceses mentem há muito mais tempo que nós!
Antigamente, na França, o início do ano era comemorado em 1.º de abril. Mas, em 1564, o rei francês Carlos IX adotou o calendário gregoriano, e o ano-novo passou a ser festejado em 1.º de janeiro.
Imaginem só a confusão! Muitas pessoas não gostaram da mudança de data e continuaram a considerar o 1.º de abril como o primeiro dia do ano, mandando convites para festas, votos de felicidades...
Nos anos seguintes, como forma de brincadeira, começaram a surgir nessa data convites para festas que não existiam e falsas mensagens de "feliz ano-novo". O costume se espalhou pelo mundo todo e, com o tempo, foram surgindo novas brincadeiras, até mesmo falsas manchetes de jornal e de televisão.
O dia da mentira costuma ser conhecido na França como poisson d'avril, o que significa literalmente "peixe de abril".
quinta-feira, 11 de março de 2010
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
A taça de chá

O luar desmaiava mais ainda uma máscara caída nas esteiras bordadas. E os bambus ao vento e os crisântemos nos jardins e as garças no tanque, gemiam com ele a adivinharem-lhe o fim. Em roda tombavam-se adormecidos os ídolos coloridos e os dragões alados. E a gueixa, porcelana transparente como a casca de um ovo da Íbis, enrodilhou-se num labirinto que nem os dragões dos deuses em dias de lágrimas. E os seus olhos rasgados, pérolas de Nanguim a desmaiar-se em água, confundiam-se cintilantes no luzidio das porcelanas.
Ele, num gesto último, fechou-lhe os lábios co'as pontas dos dedos, e disse a finar-se: — Chorar não é remédio; só te peço que não me atraiçoes enquanto o meu corpo for quente. Deixou a cabeça nas esteiras e ficou. E Ela, num grito de garça, ergueu alto os braços a pedir o Céu para Ele, e a saltitar foi pelos jardins a sacudir as mãos, que todos os que passavam olharam para Ela.
Pela manhã vinham os vizinhos em bicos dos pés espreitar por entre os bambus, e todos viram acocorada a gueixa abanando o morto com um leque de marfim.
A estampa do pires é igual.
José de Almada Negreiros
Escrito em 1915
O leque , a rosa e a treliça da ponte

Das asas de um gesto que voou de um trem noturno
Caíram, ficaram surpresos nas hastes da ponte de ferro,
Uma rosa toda aberta
E um leque, por acaso, em botão.
A rosa se fizera flor num jardim de agosto,
De uma família insigne de rosas,
De uma geração em brasonada cor.
O leque soprara num rosto formoso
Ventos leves e alísios. . .
E também – é possível – um vento precoce ou tardio
E ainda – quem sabe? – um vento ilusivo.
Depois que o trem noturno transcorreu,
Sucederam dias – ardentes
Sucederam noites – geladas
Murchando a rosa, desfolhando o leque
– Mas a ponte de ferro e de preto, no Aberto e no Tempo,
[se mantinha imutável.
Disse o leque: Por que não fechas por um momento sequer
[tuas varetas? Leque impassível!
E a rosa: Por que tuas pétalas não murcham nunca? Rosa de
[ferro
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Leque

Diz a lenda que quando Adão e Eva foram expulsos do Paraíso , Deus para castigar a moça deixou a pobre sem falar por vários dias . Então para se comunicar com o seu companheiro , ela fez um leque de palha e bambu . A cada sentimento diferente , a mulher deveria posicionar este objeto de uma forma criativa . Por exemplo : quando ela estava feliz abriria o leque por inteiro , no caso de tristeza Eva fecharia este objeto e quando desejasse alguma coisa apontaria o leque para o alvo .
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Com o leque ela pensa alguma coisa. Ela pensa o leque e com o leque se abana. E com o leque fecha de súbito o pensamento num estalido, vazia, sorridente, rígida, ausente. O leque distraído e aberto no peito. “A vida é mesmo engraçada”, concorda ela como visita que é recebida na sala de visitas. Mas num alvoroço controlado, eis que se abana de súbito com mil asas de pardal.
Clarice Lispector
O Leque

No Éden uma vez, era de madrugada,
Zumbia numa rosa uma vespa doirada
Satanás, sai da concha como um caracol,
Tenebroso e escorrendo em púrpuras de sol,
Saiu alegremente a rir d'entre o arvoredo,
Chegou ao pé de Deus e disse-lhe um segredo.
Em voz baixa, ao ouvido.
Isto foi na manhã
Em que a Eva devorou a célebre maçã.
E Deus disse ao Demónio: - Ó brejeiro, é preciso
Dar armas à mulher, para que o homem peque...
E Jeová da rosa então fez um sorriso,
E das asas da vespa o Diabo fez-lhe um leque.
Guerra Junqueiro - de A Musa em Férias
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Terça-feira gorda
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Marcha De Quarta-Feira De Cinzas

Acabou nosso carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações
Saudades e cinzas foi o que restou
Pelas ruas o que se vê
É uma gente que nem se vê
Que nem se sorri
Se beija e se abraça
E sai caminhando
Dançando e cantando cantigas de amor
E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade
A tristeza que a gente tem
Qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir
Voltou a esperança
É o povo que dança
Contente da vida, feliz a cantar
Porque são tantas coisas azuis
E há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar de que a gente nem sabe
Quem me dera viver pra ver
E brincar outros carnavais
Com a beleza dos velhos carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando seu canto de paz
Seu canto de paz
Composição: Vinicius de Moraes / Carlos Lyra
Acabou o carnaval.

As serpentinas
Já não pairam pelo ar.
Os confetes colorem
O chão que fora
Passarela da ilusão
Em momentos
Em que o solitário
Se divertia na multidão.
As ruas redescobrem o silêncio.
O silêncio redescobre
A sua existência.
A presença da ausência
Constrói a saudade
De uma festa
Já sem subsistência.
Nas cinzas
De uma quarta-feira
Esconde-se o folião
Exaurido de corpo
E desiludido de alma.
Folião agora carente,
Que lembra com
Melancolia dos amores
De um carnaval já ausente.
Diante do dissabor,
E com um vazio
Sem igual,
O folião conclui
Com uma lágrima no rosto
Que acabou o carnaval.
BrunoricO.
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