Mostrando postagens com marcador Lendas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Lendas. Mostrar todas as postagens

sábado, 24 de março de 2012

A Tamareira



















Quando José e Maria fugiram com o filhinho para o Egito, tiveram de caminhar através do deserto. No terceiro dia, Maria estava extenuada pelo e calor ardente; nisto, ela avistou uma tamareira e disse á José:
- “Quero descansar um pouco lá naquela sombra.”
Depois de já ter descido do jumentinho, e estando sentada sob a tamareira, avistou no alto de sua copa as mais belas frutas.
Mas como poderia José colhe-las? Também não podia beber nada, pois em seu odre não havia mais nem uma gota d’água.
Nisto, o Menino Jesus, que estava deitado no colo de Maria, abriu a boca e disse à tamareira:
-“Inclina-te, querida árvore, para que minha mãe possa colher tuas frutas!”
E eis que a tamareira curvou sua copa até os pés de Maria, de modo que os Pais e o santo Menino puderam saciar sua fome.
Quando a tamareira levantou novamente a copa, o Menino Jesus agradeceu-lhe e disse:
-“Agora, deixa fluir a água que dás de beber ás tuas raízes!”
No mesmo instante, borbulhou para fora uma fontezinha cristalina aos pés da árvore, e todos, homens e animais, puderam revigorar-se nela.
Nach Einem Kindheittsevangelim

domingo, 30 de agosto de 2009

A origem das pérolas



















Tombou Abel, assassinado pelo invejoso e cruel irmão. Impulsionada pelo instinto materno, tentou Eva reanimar o filho morto, acariciando longamente seu corpo exânime.Quando se convenceu de que Abel não despertava mais, desconsolada e aflita, caminhou longa jornada até junto à praia do mar, e aí quedou-se a olhar, assombrada, a extensão das águas até então desconhecidas. Nesse momento afloraram-lhe aos olhos suas primeiras lágrimas. Uma após outra, rolaram silenciosamente pela face, e foram cair sobre as pétalas de pequeninas flores, entre os rochedos.

Adão, que havia seguido ocultamente sua esposa, observava de longe, sem ser visto. Quando Eva se afastou, foi ver o que havia caído dos olhos chorosos da mulher. Encantado com a forma e o esplendor das gotas minúsculas, tomou-as, escondeu-as no interior de conchas e enterrou-as na areia.

O mar esperou que Adão adormecesse, e ao cair da noite fez um esforço titânico, cresceu, elevou-se, estendeu ondas de espuma até o tesouro escondido, e recolheu feliz as conchas das lágrimas.

Mas as ondas, ao contato com as lágrimas que se haviam transformado em pérolas, também choraram, e até hoje se escuta sua voz plangente junto das praias.

E quando o homem quer uma pérola, tem de escutar primeiro o pranto das vagas, e depois descer à profundidade do mar, onde se ocultam ainda, em modestas conchas, as lágrimas de nossa primeira mãe.
Athalicio Pithan, “Lendas e Alegorias”

quarta-feira, 20 de maio de 2009

O Mandarim e o Alfaiate


Lenda do Vietnã












Um dia um homem recebeu a notícia de que acabara de ser nomeado mandarim.

Ficou tão eufórico que quase não se conteve.

Serei um grande homem agora disse a um amigo. Preciso de roupas novas imediatamente, roupas que façam jus à minha nova posição na vida.

Conheço o alfaiate perfeito para você ¾ replicou o amigo. É um velho sábio que sabe dar a cada cliente o corte perfeito. Vou lhe dar o endereço.

E o novo mandarim foi ao alfaiate, que cuidadosamente tirou suas medidas. Depois de guardar a fita métrica, o homem disse:

Há mais uma informação que preciso Ter. Há quanto tempo o senhor é mandarim?
mandarim

Ora, o que isso tem a ver com a medida do meu manto? perguntou o cliente surpreso.

Não posso fazê-lo sem obter essa informação, senhor. É que mandarim recém-nomeado fica tão deslumbrado com o cargo que mantém a cabeça altiva, ergue o nariz e estufa o peito. Assim sendo, tenho que fazer a parte da frente maior que a parte de trás. Anos mais tarde, quando está ocupado com seu trabalho e os transtornos advindos da experiência o tornam sensato, e ele olha adiante para ver o que vem em sua direção e o que precisa ser feito a seguir, aí então eu costuro o manto de modo que a parte da frente e a de trás tenham o mesmo comprimento. E mais tarde, depois que seu corpo está curvado pela idade e pelos anos de trabalho cansativo, sem mencionar a humildade adquirida através de uma vida de esforços, então faço o manto de forma que as costas fiquem mais longas que a frente.

"Portanto, tenho que saber há quanto tempo o senhor está no cargo para que a roupa lhe assente apropriadamente."

O novo mandarim saiu da loja pensando menos no manto e mais no motivo que levara seu amigo a mandá-lo procurar exatamente aquele alfaiate.

Do livro: O Livro das Virtudes II - O Compasso Moral (pág. 650/651)

William J. Bennett

Editora Nova Fronteira

sábado, 10 de novembro de 2007



Há uma lenda que diz que o primeiro leque foi a asa de Zéfiro arrancada por Cupido para abanar sua amada Psiché. Outra, dá conta que a filha de um poderoso mandarim foi assistir a Festa das Lanternas, onde milhares de velas são acesas. Com o calor, ela sentiu-se mal e discretamente tirou sua máscara para abanar-se com ela. Isso era inadmissível e, como moça era querida e respeitada, foi imitada por todas as outra mulheres, que dessa forma a protegeram. Teria, então, nascido o leque.

Esse pequeno objeto - que se fecha sobre si mesmo, pode ser guardado em qualquer bolsa e tirado para se abanar - tem origem remota. Foram encontrados leques na China, nas tumbas de faraós, nas pinturas de murais no Egito e Síria. Registros na China e Japão indicam que foi concebido séculos antes de Cristo e que tenha, portanto, mais de três mil anos de existência.

Na China o leque fazia parte integrante do vestuário, indicando dignidade e poder. No Egito aparecia como distintivo do faraó e, para um vassalo, era uma honra abanar seu soberano com ele. Na Grécia, os maridos demonstravam seu amor abanando as esposas durante o sono; a igreja, por sua vez, presenteava os padres em sua ordenação com um leque de ébano ou sândalo, madeiras aromáticas, para que se abanassem durante os ofícios.

Os leques retráteis surgiram no Japão e os portugueses levaram a novidade para a Europa, por volta do século XV ou XVI, a partir da Península Ibérica, Itália e finalmente a França. Rapidamente o objeto passou a fazer parte da indumentária elegante, tornando-se um apetrecho indispensável. Como tudo em moda, as formas foram modificando: primeiro, foram ornamentados com reproduções de pinturas famosas e cenas da mitologia; depois portavam mensagens como letras de música e, até, propagandas políticas. Criavam-se leques, ainda, para comemorar casamentos reais, coroações, com a efígie dos imperadores, fim de guerras mundiais com imagens de flores e pombas brancas, símbolos da paz, atos governamentais, etc. Na época da Revolução Francesa foi um importante veículo de textos revolucionários.

O instinto feminino deu uma utilidade imprevista ao leque, cuja maneira como era utilizado revelava mensagens entre namorados ou amantes: marcar um encontro, pedir ao cavalheiro que seguisse a dama, indicar que era casada ou que estavam sendo vigiados. Segurar o leque sobre a bochecha direita, por exemplo, significava "siga-me".

Inicialmente os leques foram feitos com penas de pavão ou folhas de lótus. Grandes, não podiam ser fechados e quem ficava com o trabalho de movimentá-los eram os escravos. Já, nessa ocasião, apareciam como objetos de arte, pintados em cores vivas e com desenhos ornamentais. Do século V até a Idade Média os leques foram confeccionados com hastes de marfim, cabos de ouro ou prata e ficavam presos à cintura por correntes de ouro. A partir daí um sem-número de materiais e adereços passaram a enfeitar o objeto.

Os leques chegaram ao Brasil com D. João VI, importados da China sob encomenda, com pinturas alusivas ao período histórico em uma face e motivos ornamentais chineses na outra. Essas peças ainda hoje são chamadas de "Leques Históricos" e fazem parte do acervo dos nossos museus.